Com base nos documentos teóricos que vimos até então na disciplina de DMU, podemos dizer que educar um Surdocego, sendo este apenas surdocego ou apresentando outra deficiência associada, é um processo bastante complicado, mas possível.
Neste sentido, faz-se necessário, compreender que a surdocegueira trata-se de uma deficiência única apresentando aspectos específicos, não se enquadrando como deficiência múltipla. Ter ciência de que a dificuldade da falta da visão e audição implicará numa intervenção no desenvolvimento dos sentidos remanescentes é indispensável para a promoção da autonomia e independência do surdocego. Por sua vez, experiências táteis, olfativas e gustativas contribuirão para conhecer o mundo que os cerca.
A surdoceguera pode ser classificada em dois grupos: Surdocegueira Pré-linguistica, e Surdocegueira pós-—lingüística. Na primeira, encontram-se aqueles que são congenitamente surdocegos, ou que adquiriram a surdocegueira antes da estruturação da linguagem. Já a segunda, é aquela adquirida após a estruturação da linguagem. Dentre estas classificações, existe uma diversidade de situações e condições caracterizadas pela diversidade do grau da surdocegueira, como por exemplo. Surdocegueira total, ou seja, ausência de audição e de visão; Surdocegueira profunda associada a resíduo visual: ausência da fala, mas com percepção luminosa que permite orientar-se em sua mobilidade e reconhecer pessoas, escrita ou objetos por meio do alto contraste. Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira: dificuldade de compreender a fala em voz normal, não havendo percepção luminosa e nem vulto.
Assim, sob a ótica do desenvolvimento das habilidades e funcionalidade das ações dessas pessoas, reconhecerem aspectos individuais de cada deficiência é fundamental para a intervenção do professor do AEE. Reconhecer como, por exemplo, as mãos do Surdocego como um canal de comunicação e desenvolvimento da linguagem, é de fundamental importância para traçar um plano de ação.
No que podemos entender a deficiência múltipla, refere-se à associação de duas deficiências ou mais. No Brasil as características desta deficiência pode se dar de maneira física e psíquica, ou seja, deficiência física associada a deficiência intelectual; deficiência física associada ao transtorno global do desenvolvimento; Sensorial associada a psíquica: deficiência auditiva associada a intelectual; Deficiência visual associada a intelectual; Deficiência auditiva associada a transtorno global do desenvolvimento; Deficiência visual associada ao transtorno global do desenvolvimento; Deficiência auditiva associada a deficiência física; Deficiência auditiva associada a paralisia cerebral; Deficiência visual associada a deficiência física; Deficiência visual associada a paralisia cerebral.
Ao trabalhar com a criança com Surdocegueira ou deficiência múltipla, deve-se por sua vez, aplicar uma abordagem multissensorial. A qual inclui uma aprendizagem visual auditiva, tátil e cinestésica. Se para a pessoa Surdacega a dificuldade é a comunicação, já para a pessoa com DMU para além da comunicação, podem existir dificuldades motoras,, psíquicas e cognitivas. Vale ressaltar que para cada indivíduo com deficiência, seja Surdocego ou MNU, é necessário um Sistema de comunicação que contemple suas particularidades. Ainda, é importante dizer que nas estratégias para a aprendizagem da comunicação, o uso de objetos de referências se traduz num método eficaz e indispensável.